Os amigos de Atrappo querem que a partir desta coluna, eu compartilhe minhas visões como desenvolvedor de aplicativos. O faço com muito gosto. Na estreia, o pedido foi para que eu explicasse em cinco passos o sucesso de Apalabrados. Ainda que não haja uma fórmula para o êxito, espero poder explicá-los algumas ideias que garantem mais chance de alcançá-lo, ao olhar para o caminho que já percorri.


 

 

1) Foi nosso primeiro jogo, mas esta é uma frase que engana
Sim, foi nosso primeiro jogo, mas já havíamos desenvolvido muitos apps móveis antes. Em cada uma, falhamos e aprendemos. Melhoramos, observamos e voltamos a trabalhar. Ou seja, já havíamos criado e polido as peças antes, só as montamos com um fim diferente. Quando escolhi fazer este jogo, procurei não inovar muito. Cada coisa que alguém faz, que não tenha feito bem antes, é um pedido ao fracasso. A arte está em utilizar o que você já experimentou antes de uma manera inédita.


2) Uma ideia nova, ao menos para o público alvo
 
Já exitiam jogos de palavras como o Scrabble, mas nuna em espanhol, ou estavam longe de o que poderiam ser. A inovação ocorre passo a passo, e isso tem de estar na mente do desenvolvedor. Geralmente, caímos na armadilha de achar que podemos dar saltos e inventar dois coisas de uma vez, mas isso nunca funciona. Apalavrados era um grande produto, que não existia para a grande parte do mundo. A chave foi fazer um jogo de qualidade, como nunca antes havia sido visto.

 

3) Entender o que soma
 
As pessoas gostam de interagir com outras. Escolher um jogo que permita naturalmente a socialização, como os jogos de palavras, e pontencializá-los é um diferencial. O fato de ser assincrônico também tem a ver com a nossa nova forma de socializar. A interface intuitiva e atrativa, à prova dos mais inexperientes, é outro gol. A questão é observar o mundo no qual se quer apostar.

Apalabrados é o resumo de minha visão sobre muito do que funciona. Enfatizo o fato de distanciá-lo de uma "ideia". É, em verdade, um apanhado de tendências percebidas sobre como se comportam os inddivíduos e a sociedade.

 

4) A imaginação, nossa melhor amiga e pior inimiga
 
Qualqur um pode ter grandes teorias, mas ao final, tudo tem de ser experimentado. O mundo é muito complexo para ser previsível, logo, apenas fazendo para saber. Algumas coisas que funcionaram muito bem, como o chat, foram criadas sem muita expectativas. Outras, como o registro, tiveram muito mais peso no desenvolvimento do produto e nos deram dores de cabeça. Há também que se aplciar método científico. Hipóteses, experimentação, conclusão - e começar de novo. Todos temos muitas ideias, e há que prová-las para saber se realmente são boas ou se podem ser melhoradas.

 

5) Vontade de fazer
 
Tudo o que dice antes pode parecer bonito, mas ao final, só fazendo para saber. Cada parte de Apalabrados tem horas de transpiração. É muito fácil falar do que funciona e do que não funciona, de pontos fortes e habilidade, mas no final, só tentando, falhando, aprendente e voltando a fazer. Isso tudo, que é tão fácil de entender, é difícil de aplicar. Fazer desgasta e desmotiva. Programei Apalabrados sozinho, a fim de que todos vissem que é possível.

A disciplina e a observação são as chaves do sucesso, sempre.

Nunca encontro as palavras para enfatizar o suficiente.